sexta-feira, 4 de setembro de 2026

traço_destraçado | 086

 soneira 

Vezes há que o branco em nada acontece

Vezes há que o silêncio se nutre desse nada

Sopro na folha escrita raios de vazio 

Penduro-me no desassossego que me apaga 

Olhar as nuvens no voo indo

Viro no pó da poeira que amolece

Escrevo texto de linhas secas nem sempre apetece

Tão cheias de tudo tenho-me no adágio 

No mar que borbulha em calma linhas de areia

Trago-me do naufrágio nadar atar

Desenhar no interstício da veia que leva

Respirar no vento sopro em páginas minhas

Tomo-me no fogo de cada traço na teia

Vezes há que não sei do desenho

Vezes há que o sono me adormece 

Tenho sono

eugeniohenrique 4/9/2026


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