soneira
Vezes há que o branco em nada acontece
Vezes há que o silêncio se nutre desse nada
Sopro na folha escrita raios de vazio
Penduro-me no desassossego que me apaga
Olhar as nuvens no voo indo
Viro no pó da poeira que amolece
Escrevo texto de linhas secas nem sempre apetece
Tão cheias de tudo tenho-me no adágio
No mar que borbulha em calma linhas de areia
Trago-me do naufrágio nadar atar
Desenhar no interstício da veia que leva
Respirar no vento sopro em páginas minhas
Tomo-me no fogo de cada traço na teia
Vezes há que não sei do desenho
Vezes há que o sono me adormece
Tenho sono
eugeniohenrique 4/9/2026
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