sexta-feira, 26 de setembro de 2025

traço_destraçado | 078

 olhar_as_pedras


Bom dia para umas tantas as pedras

Imóveis na segurança do olhar as gentes

Revela-se no silêncio duro e frágil

Frias no território poético bom dia

Descalças no texto de quem anda

Inertes no covil das mentes fosseis

As pedras 

São pedras armadilhas às pilhas

São arremessos na correria

São poemas em que eu faria

São pedaços de corpos rentes

São traços no vento voam

As pedras

Escrita nas pedras letras ferrugem

Tomam-se na desventura infortúnio

Rolam no espaço invadido fogem

Planam em campos de nada adormecem

Nas mãos as pedras trituram olhares

Nas mãos sulcam linhas fartas

Nas mãos

Senhor

Não são pedras não

São flores que vão   


eugéniohenrique 26/09/2025

quarta-feira, 17 de setembro de 2025

8_0 | 38

 a Noite ai a Noite


O vento toma-se na pele que arrefece | verdes salpicados nos sóis que tremeluzam | sombras de dança no meu colo |  enlaço-me na distância do sussurro | na raiz em cocuruto que me afaga | sopro beijos na ausência | o vento toma-me e vai | sou no sal que desenha a inquietude | beberico nas palavras o aroma do teu corpo ainda | na fragrância de seres tu respiro a plenitude | escavo na fraga que me pesa a maciez dos teus lábios | a noite ai a noite não acorda | o vento vai no desenho meu | de ti


eugeniohenrique 17/09/2025