Silêncio(S)
Que muros cresceram
Que cantos ensurdeceram
Que tens no teu silêncio
Dizes dizendo
Que alimento te cala
Que argumento te tem
Olhos ausentes
Vagueias no tempo
Que sofrimento abala
Pedras soltas
Trepadeiras espinhosas
Quanto de ti não chora
Quanto de ti embala frio
Giras no desenho
Traço de ida e volta e ida
Foges não foges
De onde vem essa nuvem
Quanto de ti tenho
Tanto de ser fugida
Abraços beijos urgem
As mãos crescem sem tocar
Dias a solo vergastado
Sonâmbulo no olhar
Crias a plenitude
Crias o nada amiúde
Que te traz
No vaguear dos silêncios
Cinzentos os versos
Que não leio ainda
Das tuas mãos flores
Que abrem aromas tristes
Da Terra o ser em estar
Revolvida penteada
Brotam sabores de nada
Histórias à porta fechada
Arrumada que está
A palavra agarrada
Profunda no vale
Onde caminha quente
Ardente sem espirro
Ausente
O céu será na luz
Do nosso olhar apenas
Todo de todo não mente
Somos assim
Somos no silêncio
Escrevemos no amar
eugeniohenrique 10/7/2026