sexta-feira, 10 de julho de 2026

r-a-m-o | 019

 Silêncio(S)


Que muros cresceram 

Que cantos ensurdeceram

Que tens no teu silêncio

Dizes dizendo 

Que alimento te cala

Que argumento te tem 

Olhos ausentes 

Vagueias no tempo 

Que sofrimento abala

Pedras soltas 

Trepadeiras espinhosas

Quanto de ti não chora

Quanto de ti embala frio

Giras no desenho 

Traço de ida e volta e ida

Foges não foges 

De onde vem essa nuvem

Quanto de ti tenho

Tanto de ser fugida

Abraços beijos urgem

As mãos crescem sem tocar

Dias a solo vergastado

Sonâmbulo no olhar 

Crias a plenitude 

Crias o nada amiúde

Que te traz 

No vaguear dos silêncios

Cinzentos os versos

Que não leio ainda

Das tuas mãos flores 

Que abrem aromas tristes

Da Terra o ser em estar

Revolvida penteada 

Brotam sabores de nada

Histórias à porta fechada

Arrumada que está 

A palavra agarrada

Profunda no vale

Onde caminha quente

Ardente sem espirro 

Ausente 

O céu será na luz 

Do nosso olhar apenas

Todo de todo não mente

Somos assim 

Somos no silêncio 

Escrevemos no amar


eugeniohenrique 10/7/2026