atropelamento
Os dias desenrolam-se na fumaça nos fios de luz nos estilhaços nos choros nos cansaços Quanto do nada resiste nos escombros embala nos ombros grita na parada Tempo em perda titãs da miséria golpes de aço noites sem abraço história em cagaço Sonos ausentes vidraças voaram nos céus das carraças Terra esburacada formigas espantadas ratazanas encantadas carapaças nos corpos dormentes Fedelhos impacientes secaram o choro nos ombros dela sem dor sem mor sem sabor ausente no medo de não saber Gloria aos insanos que escavam nos olhares na pele que encurta que adormece no vazio dos trapos que ferram na sagacidade na astucia silêncios sofridos Gloria aos absurdos mesquinhos poderosos derrotados que respiram ar que produziram ar que as formigas no carreiro atropelam corpos gente sem corpo fechados enrolados na ausência no infortúnio má sorte desventura não sonhada não desenhada rasura no ser Atropelo de vozes desafinadas golpeadas miseráveis na penumbra Canto no chilrear férreo silvo de balas sinfonia agreste desconcerto em falsete dissonância Ajoelhas na oratória de poemas que nunca fizeste que nunca leste que nunca inventaste ignorante os profetas da luz que rasa que arrasa e atropela na noite sempre noite esconde o rosto do ajoelhado As palavras atropelam-me e fico assim nesta guerra.
eugeniohenrique 21/06(2025