quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

traço_destraçado | 080

 vento no forte

Ali muralha da dor 

Ali o mar esgota a liberdade 

Ali as palavras suturam silêncios

Ali aperto-me no lodo da rudez


Ajeito-me no crocitar continuo 

Trepo no postigo da noite

O bailado da nudez ondula

A cianose esburaca o poema


Ventos ventos que sopram cerrados

Azuis selados aferrolham a voz

Portas portões de sangue seco

Mutilam a caminhada


O mar desenrola a liberdade

Fustiga o segredo breu

Tocam os sinos da desgraça

O tempo afogado em colos 


Entrouxados na lama seca

Chão isolamento 

Céu de nada frio da manada

Chicote porrada de gente armada

Desenhos do pensamento 

Invento o caminho

No vento forte do forte 


Estive no vento n_orte


eugeniohenrique 8/12/2025