quarta-feira, 29 de julho de 2026

traço_destraçado | 085

risco(me)


Os meus desenhos não são para ser lidos

São para ser tidos 

Como quem tem desenhos no amor

Como quem tem amor por ter desenhos nesse amor

Os meus desenhos são meus e teus

Basta-me esse tudo.


eugeniohenrique 28/7/2026




quinta-feira, 23 de julho de 2026

traço_destraçado | 084

 Viageiro

 

Interrompo a batida do coração e viajo no branco do nada  

Em gargalhar a aurora veste a nuvem que desliza em canto

Vago na finura que o tempo desenha nos desenhos que ainda não

E acordo assim pesado de ter sido em sono a linha apagada


eugeniohenrique 23/7/2026


terça-feira, 14 de julho de 2026

traço_destraçado | 083

 estreito_engomado


Estreito-me nos estreitos 

Passo não passo passando estreitado

Apertado nas margens que apertam

Trilhos em traços no espaço

Fustigam o abraço estreito

Estoiram as mães de peito


Traços perdidos na secura

São luz medonha na tela pura

Empedrados intelectos estreitados

Zurram em montes deitados

Papéis fiados não fiando

Nada ficará cantando


Cimeiras de fados postiço 

Banquetes de poetas desfilando

Trapos de poesia quebraram

No estreito pensar necrosado

Ficam eles outros chorando

Galope na fuga atrapalhada

Gritos à molhada


Pum 


Sinto-me no medo deles outros

Putos que sacodem a pele do pó

Que da Terra tanta empoeirada

Salpicam saltitam de cara magoada 

Ei-los que gingam no poema 

Triturado no estreito que me estreita

O vento vagueia sonhos

Bandeiras em desfralde picotadas


Balas balões pum


O choro vai nas nuvens espuma 

Metralhado na inocência vai

No colo da mãe que espera 

Tontos na cegueira incólume 

Cegos por opção nação 

lixo glutão 

Certeiros na amargura razão

Desesperados nos cueiros do poder

Ter estreito ter 


Estreito- me no pensamento

Apertado em águas que ondulam

Tento em veneta atada

Desenhar linhas estreitas tantas

Rasuro brechas de luz apagada


Estreito-me 

eugeniohenrique 14/7/2026


sexta-feira, 10 de julho de 2026

r-a-m-o | 019

 Silêncio(S)


Que muros cresceram 

Que cantos ensurdeceram

Que tens no teu silêncio

Dizes dizendo 

Que alimento te cala

Que argumento te tem 

Olhos ausentes 

Vagueias no tempo 

Que sofrimento abala

Pedras soltas 

Trepadeiras espinhosas

Quanto de ti não chora

Quanto de ti embala frio

Giras no desenho 

Traço de ida e volta e ida

Foges não foges 

De onde vem essa nuvem

Quanto de ti tenho

Tanto de ser fugida

Abraços beijos urgem

As mãos crescem sem tocar

Dias a solo vergastado

Sonâmbulo no olhar 

Crias a plenitude 

Crias o nada amiúde

Que te traz 

No vaguear dos silêncios

Cinzentos os versos

Que não leio ainda

Das tuas mãos flores 

Que abrem aromas tristes

Da Terra o ser em estar

Revolvida penteada 

Brotam sabores de nada

Histórias à porta fechada

Arrumada que está 

A palavra agarrada

Profunda no vale

Onde caminha quente

Ardente sem espirro 

Ausente 

O céu será na luz 

Do nosso olhar apenas

Todo de todo não mente

Somos assim 

Somos no silêncio 

Escrevemos no amar


eugeniohenrique 10/7/2026


quarta-feira, 1 de julho de 2026

traço_destraçado | 082

 en_son_ado


uma nuvem de sono desenha na pele

o acordar pesado de traços raízes 

imagens que a noite descarrega

vertigem desassossegada 

janela de peças em voo trauteado

mantos baços abraço amarrado

alinho e acordo no peso de mim

nas asas espreguiço as linhas que desalinho

vou na nuvem esquisso alado

dias que a noite não acaba calado

respiro transpiro frio sem fim

na escrita silente penduro-me estafado

soltas as palavras em nuvem quase nada

sem poema sem poeta 

acordo nos traços que abandono

estou de sono ensonado

Eugenio Henrique 1/07/2026