risco(me)
Os meus desenhos não são para ser lidos
São para ser tidos
Como quem tem desenhos no amor
Como quem tem amor por ter desenhos nesse amor
Os meus desenhos são meus e teus
Basta-me esse tudo.
eugeniohenrique 28/7/2026
small talks
risco(me)
Os meus desenhos não são para ser lidos
São para ser tidos
Como quem tem desenhos no amor
Como quem tem amor por ter desenhos nesse amor
Os meus desenhos são meus e teus
Basta-me esse tudo.
eugeniohenrique 28/7/2026
Viageiro
Interrompo a batida do coração e viajo no branco do nada
Em gargalhar a aurora veste a nuvem que desliza em canto
Vago na finura que o tempo desenha nos desenhos que ainda não
E acordo assim pesado de ter sido em sono a linha apagada
eugeniohenrique 23/7/2026
estreito_engomado
Estreito-me nos estreitos
Passo não passo passando estreitado
Apertado nas margens que apertam
Trilhos em traços no espaço
Fustigam o abraço estreito
Estoiram as mães de peito
Traços perdidos na secura
São luz medonha na tela pura
Empedrados intelectos estreitados
Zurram em montes deitados
Papéis fiados não fiando
Nada ficará cantando
Cimeiras de fados postiço
Banquetes de poetas desfilando
Trapos de poesia quebraram
No estreito pensar necrosado
Ficam eles outros chorando
Galope na fuga atrapalhada
Gritos à molhada
Pum
Sinto-me no medo deles outros
Putos que sacodem a pele do pó
Que da Terra tanta empoeirada
Salpicam saltitam de cara magoada
Ei-los que gingam no poema
Triturado no estreito que me estreita
O vento vagueia sonhos
Bandeiras em desfralde picotadas
Balas balões pum
O choro vai nas nuvens espuma
Metralhado na inocência vai
No colo da mãe que espera
Tontos na cegueira incólume
Cegos por opção nação
lixo glutão
Certeiros na amargura razão
Desesperados nos cueiros do poder
Ter estreito ter
Estreito- me no pensamento
Apertado em águas que ondulam
Tento em veneta atada
Desenhar linhas estreitas tantas
Rasuro brechas de luz apagada
Estreito-me
eugeniohenrique 14/7/2026
Silêncio(S)
Que muros cresceram
Que cantos ensurdeceram
Que tens no teu silêncio
Dizes dizendo
Que alimento te cala
Que argumento te tem
Olhos ausentes
Vagueias no tempo
Que sofrimento abala
Pedras soltas
Trepadeiras espinhosas
Quanto de ti não chora
Quanto de ti embala frio
Giras no desenho
Traço de ida e volta e ida
Foges não foges
De onde vem essa nuvem
Quanto de ti tenho
Tanto de ser fugida
Abraços beijos urgem
As mãos crescem sem tocar
Dias a solo vergastado
Sonâmbulo no olhar
Crias a plenitude
Crias o nada amiúde
Que te traz
No vaguear dos silêncios
Cinzentos os versos
Que não leio ainda
Das tuas mãos flores
Que abrem aromas tristes
Da Terra o ser em estar
Revolvida penteada
Brotam sabores de nada
Histórias à porta fechada
Arrumada que está
A palavra agarrada
Profunda no vale
Onde caminha quente
Ardente sem espirro
Ausente
O céu será na luz
Do nosso olhar apenas
Todo de todo não mente
Somos assim
Somos no silêncio
Escrevemos no amar
eugeniohenrique 10/7/2026
en_son_ado
uma nuvem de sono desenha na pele
o acordar pesado de traços raízes
imagens que a noite descarrega
vertigem desassossegada
janela de peças em voo trauteado
mantos baços abraço amarrado
alinho e acordo no peso de mim
nas asas espreguiço as linhas que desalinho
vou na nuvem esquisso alado
dias que a noite não acaba calado
respiro transpiro frio sem fim
na escrita silente penduro-me estafado
soltas as palavras em nuvem quase nada
sem poema sem poeta
acordo nos traços que abandono
estou de sono ensonado
Eugenio Henrique 1/07/2026