terça-feira, 14 de julho de 2026

traço_destraçado | 083

 estreito_engomado


Estreito-me nos estreitos 

Passo não passo passando estreitado

Apertado nas margens que apertam

Trilhos em traços no espaço

Fustigam o abraço estreito

Estoiram as mães de peito


Traços perdidos na secura

São luz medonha na tela pura

Empedrados intelectos estreitados

Zurram em montes deitados

Papéis fiados não fiando

Nada ficará cantando


Cimeiras de fados postiço 

Banquetes de poetas desfilando

Trapos de poesia quebraram

No estreito pensar necrosado

Ficam eles outros chorando

Galope na fuga atrapalhada

Gritos à molhada


Pum 


Sinto-me no medo deles outros

Putos que sacodem a pele do pó

Que da Terra tanta empoeirada

Salpicam saltitam de cara magoada 

Ei-los que gingam no poema 

Triturado no estreito que me estreita

O vento vagueia sonhos

Bandeiras em desfralde picotadas


Balas balões pum


O choro vai nas nuvens espuma 

Metralhado na inocência vai

No colo da mãe que espera 

Tontos na cegueira incólume 

Cegos por opção nação 

lixo glutão 

Certeiros na amargura razão

Desesperados nos cueiros do poder

Ter estreito ter 


Estreito- me no pensamento

Apertado em águas que ondulam

Tento em veneta atada

Desenhar linhas estreitas tantas

Rasuro brechas de luz apagada


Estreito-me 

eugeniohenrique 14/7/2026


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