sempre
O sol virá na ausência
Vestir-se-á na penumbra
Tecido de paz e sorriso leve
Aurora com flores aroma
De cansaço de viver
Em modo mãe a teu lado
Tive a tua mão que arrefeceu
No chão que me toma
O sol virá e tu sempre
eugeniohenrique 31/12/2025
small talks
sempre
O sol virá na ausência
Vestir-se-á na penumbra
Tecido de paz e sorriso leve
Aurora com flores aroma
De cansaço de viver
Em modo mãe a teu lado
Tive a tua mão que arrefeceu
No chão que me toma
O sol virá e tu sempre
eugeniohenrique 31/12/2025
vento no forte
Ali muralha da dor
Ali o mar esgota a liberdade
Ali as palavras suturam silêncios
Ali aperto-me no lodo da rudez
Ajeito-me no crocitar continuo
Trepo no postigo da noite
O bailado da nudez ondula
A cianose esburaca o poema
Ventos ventos que sopram cerrados
Azuis selados aferrolham a voz
Portas portões de sangue seco
Mutilam a caminhada
O mar desenrola a liberdade
Fustiga o segredo breu
Tocam os sinos da desgraça
O tempo afogado em colos
Entrouxados na lama seca
Chão isolamento
Céu de nada frio da manada
Chicote porrada de gente armada
Desenhos do pensamento
Invento o caminho
No vento forte do forte
Estive no vento n_orte
eugeniohenrique 8/12/2025
traços_de_frio
vazio de espaço de luz no vazio
leito de pó na poeira do rio
nado na margem de lá ausência
sussurro a distância na escrita
nado o olhar em névoa fria
na água o frenesim da secura
texto nas pedras caídas escombro feridas
nado nas sombras o silêncio que prolongo
são gaivotas são passarada e sou
na enxurrada traço que rasuro traço duro
nado na espuma da nuvem que encolhe penso
nado no tempo invento
afogado tento o respiro longo longe
desenho braçadas no manto que ondula
desenho palavras idas borbulhar lamento
nado no vazio da luz cegueira tormento
quanto sol divido nas palavras que desenho
quanta noite trago no breu que afunda
nado na margem tenho frio
eugéniohenrique 9/10/2025
olhar_as_pedras
Bom dia para umas tantas as pedras
Imóveis na segurança do olhar as gentes
Revela-se no silêncio duro e frágil
Frias no território poético bom dia
Descalças no texto de quem anda
Inertes no covil das mentes fosseis
As pedras
São pedras armadilhas às pilhas
São arremessos na correria
São poemas em que eu faria
São pedaços de corpos rentes
São traços no vento voam
As pedras
Escrita nas pedras letras ferrugem
Tomam-se na desventura infortúnio
Rolam no espaço invadido fogem
Planam em campos de nada adormecem
Nas mãos as pedras trituram olhares
Nas mãos sulcam linhas fartas
Nas mãos
Senhor
Não são pedras não
São flores que vão
eugéniohenrique 26/09/2025
a Noite ai a Noite
O vento toma-se na pele que arrefece | verdes salpicados nos sóis que tremeluzam | sombras de dança no meu colo | enlaço-me na distância do sussurro | na raiz em cocuruto que me afaga | sopro beijos na ausência | o vento toma-me e vai | sou no sal que desenha a inquietude | beberico nas palavras o aroma do teu corpo ainda | na fragrância de seres tu respiro a plenitude | escavo na fraga que me pesa a maciez dos teus lábios | a noite ai a noite não acorda | o vento vai no desenho meu | de ti
eugeniohenrique 17/09/2025
Como poderia
Se não estiver estarei
Se o sol não vier irei
Se o vento não soprar voarei
Se o tempo se esgotar viverei
Se a música não se ouvir cantarei
No sono falarei
Na chuva desenho o espaço
No olhar sentirei a voz
No toque o desassossego
No aroma sei de ti
? Como poderia
Estou no planar dos pássaros
No rio da ria
No pouco de pouquinho
Na pressa da serenidade
Na pele que me abraça
Que me amassa
Desenho nas páginas que me encolhem
Linhas que bailam dedilhado inquieto
Quanto do sol tomamos
Quanto de nós somos
? Como poderia
eugeniohenrique 11/07/2025
atropelamento
Os dias desenrolam-se na fumaça nos fios de luz nos estilhaços nos choros nos cansaços Quanto do nada resiste nos escombros embala nos ombros grita na parada Tempo em perda titãs da miséria golpes de aço noites sem abraço história em cagaço Sonos ausentes vidraças voaram nos céus das carraças Terra esburacada formigas espantadas ratazanas encantadas carapaças nos corpos dormentes Fedelhos impacientes secaram o choro nos ombros dela sem dor sem mor sem sabor ausente no medo de não saber Gloria aos insanos que escavam nos olhares na pele que encurta que adormece no vazio dos trapos que ferram na sagacidade na astucia silêncios sofridos Gloria aos absurdos mesquinhos poderosos derrotados que respiram ar que produziram ar que as formigas no carreiro atropelam corpos gente sem corpo fechados enrolados na ausência no infortúnio má sorte desventura não sonhada não desenhada rasura no ser Atropelo de vozes desafinadas golpeadas miseráveis na penumbra Canto no chilrear férreo silvo de balas sinfonia agreste desconcerto em falsete dissonância Ajoelhas na oratória de poemas que nunca fizeste que nunca leste que nunca inventaste ignorante os profetas da luz que rasa que arrasa e atropela na noite sempre noite esconde o rosto do ajoelhado As palavras atropelam-me e fico assim nesta guerra.
eugeniohenrique 21/06(2025
Amar em branco
Branco de papel que impaciente rebola no olhar e agora?
Branco de nuvem lenta longe farrapos de sopro e lá vai
Branco o tecido em manto de pele que afaga e sente leve
Branco o sal tempero ria de amar céu estrelado sois
Branco açúcar de abraços doce em castelo de desejos
Branco o poema ausência palavras em branco
Branco as lágrimas que sulcam os desenhos do tempo
Branco o seio que amamenta em pele descontornada
Branco o dia que está para estar assim
Branco o gelo que arrefece o rosto febril
Branco o perfume fragrância de amar por mim
Branco na noite que dorme na dureza
As páginas em branco voam dobradas no olhar
As palavras tropeçam no eco da ausência
Amar em branco branco brancura ternura
E agora?
Estou no branco que me aperta
Estou em papel branco
eugeniohenrique 20/06/2025