quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

r-a-m-o | 018

 sempre


O sol virá na ausência

Vestir-se-á na penumbra 

Tecido de paz e sorriso leve

Aurora com flores aroma

De cansaço de viver

Em modo mãe a teu lado

Tive a tua mão que arrefeceu

No chão que me toma 

O sol virá e tu sempre

eugeniohenrique  31/12/2025


quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

traço_destraçado | 080

 vento no forte

Ali muralha da dor 

Ali o mar esgota a liberdade 

Ali as palavras suturam silêncios

Ali aperto-me no lodo da rudez


Ajeito-me no crocitar continuo 

Trepo no postigo da noite

O bailado da nudez ondula

A cianose esburaca o poema


Ventos ventos que sopram cerrados

Azuis selados aferrolham a voz

Portas portões de sangue seco

Mutilam a caminhada


O mar desenrola a liberdade

Fustiga o segredo breu

Tocam os sinos da desgraça

O tempo afogado em colos 


Entrouxados na lama seca

Chão isolamento 

Céu de nada frio da manada

Chicote porrada de gente armada

Desenhos do pensamento 

Invento o caminho

No vento forte do forte 


Estive no vento n_orte


eugeniohenrique 8/12/2025


quinta-feira, 9 de outubro de 2025

traço_destraçado | 079

 traços_de_frio


vazio de espaço de luz no vazio 

leito de pó na poeira do rio

nado na margem de lá ausência

sussurro a distância na escrita

nado o olhar em névoa fria

na água o frenesim da secura

texto nas pedras caídas escombro feridas 

nado nas sombras o silêncio que prolongo 

são gaivotas são passarada e sou

na enxurrada traço que rasuro traço duro 

nado na espuma da nuvem que encolhe penso

nado no tempo invento 

afogado tento o respiro longo longe

desenho braçadas no manto que ondula 

desenho palavras idas borbulhar lamento  

nado no vazio da luz cegueira tormento

quanto sol divido nas palavras que desenho

quanta noite trago no breu que afunda

nado na margem tenho frio

eugéniohenrique 9/10/2025 

sexta-feira, 26 de setembro de 2025

traço_destraçado | 078

 olhar_as_pedras


Bom dia para umas tantas as pedras

Imóveis na segurança do olhar as gentes

Revela-se no silêncio duro e frágil

Frias no território poético bom dia

Descalças no texto de quem anda

Inertes no covil das mentes fosseis

As pedras 

São pedras armadilhas às pilhas

São arremessos na correria

São poemas em que eu faria

São pedaços de corpos rentes

São traços no vento voam

As pedras

Escrita nas pedras letras ferrugem

Tomam-se na desventura infortúnio

Rolam no espaço invadido fogem

Planam em campos de nada adormecem

Nas mãos as pedras trituram olhares

Nas mãos sulcam linhas fartas

Nas mãos

Senhor

Não são pedras não

São flores que vão   


eugéniohenrique 26/09/2025

quarta-feira, 17 de setembro de 2025

8_0 | 38

 a Noite ai a Noite


O vento toma-se na pele que arrefece | verdes salpicados nos sóis que tremeluzam | sombras de dança no meu colo |  enlaço-me na distância do sussurro | na raiz em cocuruto que me afaga | sopro beijos na ausência | o vento toma-me e vai | sou no sal que desenha a inquietude | beberico nas palavras o aroma do teu corpo ainda | na fragrância de seres tu respiro a plenitude | escavo na fraga que me pesa a maciez dos teus lábios | a noite ai a noite não acorda | o vento vai no desenho meu | de ti


eugeniohenrique 17/09/2025

sexta-feira, 11 de julho de 2025

8_0 | 37

Como poderia


Se não estiver estarei

Se o sol não vier irei

Se o vento não soprar voarei

Se o tempo se esgotar viverei

Se a música não se ouvir cantarei

No sono falarei

Na chuva desenho o espaço

No olhar sentirei a voz

No toque o desassossego

No aroma sei de ti

? Como poderia 

Estou no planar dos pássaros

No rio da ria

No pouco de pouquinho 

Na pressa da serenidade

Na pele que me abraça 

Que me amassa

Desenho nas páginas que me encolhem 

Linhas que bailam dedilhado inquieto

Quanto do sol tomamos 

Quanto de nós somos

? Como poderia

eugeniohenrique 11/07/2025


sábado, 21 de junho de 2025

traço_destraçado | 077

 atropelamento


Os dias desenrolam-se na fumaça nos fios de luz nos estilhaços nos choros nos cansaços Quanto do nada resiste nos escombros embala nos ombros grita na parada Tempo em perda titãs da miséria golpes de aço noites sem abraço história em cagaço Sonos ausentes vidraças voaram nos céus das carraças Terra esburacada formigas espantadas ratazanas encantadas carapaças nos corpos dormentes Fedelhos impacientes secaram o choro nos ombros dela sem dor sem mor sem sabor ausente no medo de não saber Gloria aos insanos que escavam nos olhares na pele que encurta que adormece no vazio dos trapos que ferram na sagacidade na astucia silêncios sofridos Gloria aos absurdos mesquinhos poderosos derrotados que respiram ar que produziram ar que as formigas no carreiro atropelam corpos gente sem corpo fechados enrolados na ausência no infortúnio má sorte desventura não sonhada não desenhada rasura no ser Atropelo de vozes desafinadas golpeadas miseráveis na penumbra Canto no chilrear férreo silvo de balas sinfonia agreste desconcerto em falsete dissonância Ajoelhas na oratória de poemas que nunca fizeste que nunca leste que nunca inventaste ignorante os profetas da luz que rasa que arrasa e atropela na noite sempre noite esconde o rosto do ajoelhado As palavras atropelam-me e fico assim nesta guerra.


eugeniohenrique 21/06(2025  

sexta-feira, 20 de junho de 2025

8_0 | 36

 Amar em branco


Branco de papel que impaciente rebola no olhar e agora? 

Branco de nuvem lenta longe farrapos de sopro e lá vai

Branco o tecido em manto de pele que afaga e sente leve

Branco o sal tempero ria de amar céu estrelado sois

Branco açúcar de abraços doce em castelo de desejos 

Branco o poema ausência palavras em branco

Branco as lágrimas que sulcam os desenhos do tempo

Branco o seio que amamenta em pele descontornada 

Branco o dia que está para estar assim

Branco o gelo que arrefece o rosto febril

Branco o perfume fragrância de amar por mim

Branco na noite que dorme na dureza 

As páginas em branco voam dobradas no olhar

As palavras tropeçam no eco da ausência

Amar em branco branco brancura ternura

E agora?

Estou no branco que me aperta

Estou em papel branco


eugeniohenrique  20/06/2025