quinta-feira, 13 de agosto de 2026

r-a-m-o | 020

 Tracejado 


Deito em desassossego o corpo envelhece

Estremece na ideia de não ter que ser

Os perfumes atiçam memórias em terra batida

Jogos de bola e pouca comida

Ganapos aos molhos desatados na ermida

Tanques de roupa a lavar de bem e mal dizer

Sabão que vai ao fundo e vem em pau de pregos

Chafurdar em água de espuma palavras soltas 

Mamadeiras de historias no branco a corar

Trouchas penduradas em rodilhas pensantes

Trazem no peso da tagarelice a leveza dos egos

Solstício de poetas triturados por quem antes

Sempre achinelados no vento que sopra no ar

Arrumam fogueiras parideiras que sufocam no haver

no canto de capelas de alma pecadilhos de ser 

crer nas estampas que ilustram salas de cera 

os miúdos trauteiam fugas de amar 

Correrias de esconder querer saltar e não poder

Acertar histórias da plebe na crípta enfestada 

Santos e poderosos os putos invadem

Colarinhos engomados tocam os sinos estafados

Vozes de gente nada vagueiam no silêncio da manada

Gargalhar festim na festa que termina e vem

Palestras de sancho que o tempo dos alados esvazia 

calados na voz de pé descalço temia o temor cavado

Expurga tês lágrimas de sol que não vês

Jogo de bola na minha vez trapos empedrados

Traços na leveza poética de um brinquedo pintado

Sonho em esconderijo desarmado 

No tanque a trouxa pesa corada na dimensão da terra

Descalçada sulcos de tretas silabadas 

Gingam nas linhas que correm olhar a dentro

Quentura queimor de amar não sabendo

Mulheres tendo sabão no ser cosem odores de água

Nas fraldas dos remelados em resmas de sorte 

O peso da terra a rasteira o choro a vitória

Correr na falta inventar na pobreza 

Glória  ao pai que traz o brinquedo na certeza

Dos sorrisos em bolas de sabão 

Cartas cartas saco delas voam nas histórias

Selos de escrita que vai e volta de avião ou não

Tambor em rimas de fim de tarde timbram no papel

Que leva saudade pedidos de volta vem espero por ti

Agasalho em xaile cruzado fortaleza 

Tamancos em sapateado pele estaladiça

Tinta permanente escrita sem burrão

Elas duas esperam maridos que não voltam

Rezam promessas na ilusão 

Abades padres comadres na pobreza e na certeza

Palavreado em modo agreste linguagem postiça

Os ganapos gingam na eira feira freira de escola

As duas as outras moldam os corpos em panos descoloridos

Negros de nada que a saudade cola

Mulheres tricotam palavras ponto cruz 

Chulear salivas bochechos cantares 

Beijos pastosos abraços ruidosos quantos

Acordo apertado 


eugeniohenrique 12/8/2026


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