Tracejado
Deito em desassossego o corpo envelhece
Estremece na ideia de não ter que ser
Os perfumes atiçam memórias em terra batida
Jogos de bola e pouca comida
Ganapos aos molhos desatados na ermida
Tanques de roupa a lavar de bem e mal dizer
Sabão que vai ao fundo e vem em pau de pregos
Chafurdar em água de espuma palavras soltas
Mamadeiras de historias no branco a corar
Trouchas penduradas em rodilhas pensantes
Trazem no peso da tagarelice a leveza dos egos
Solstício de poetas triturados por quem antes
Sempre achinelados no vento que sopra no ar
Arrumam fogueiras parideiras que sufocam no haver
no canto de capelas de alma pecadilhos de ser
crer nas estampas que ilustram salas de cera
os miúdos trauteiam fugas de amar
Correrias de esconder querer saltar e não poder
Acertar histórias da plebe na crípta enfestada
Santos e poderosos os putos invadem
Colarinhos engomados tocam os sinos estafados
Vozes de gente nada vagueiam no silêncio da manada
Gargalhar festim na festa que termina e vem
Palestras de sancho que o tempo dos alados esvazia
calados na voz de pé descalço temia o temor cavado
Expurga tês lágrimas de sol que não vês
Jogo de bola na minha vez trapos empedrados
Traços na leveza poética de um brinquedo pintado
Sonho em esconderijo desarmado
No tanque a trouxa pesa corada na dimensão da terra
Descalçada sulcos de tretas silabadas
Gingam nas linhas que correm olhar a dentro
Quentura queimor de amar não sabendo
Mulheres tendo sabão no ser cosem odores de água
Nas fraldas dos remelados em resmas de sorte
O peso da terra a rasteira o choro a vitória
Correr na falta inventar na pobreza
Glória ao pai que traz o brinquedo na certeza
Dos sorrisos em bolas de sabão
Cartas cartas saco delas voam nas histórias
Selos de escrita que vai e volta de avião ou não
Tambor em rimas de fim de tarde timbram no papel
Que leva saudade pedidos de volta vem espero por ti
Agasalho em xaile cruzado fortaleza
Tamancos em sapateado pele estaladiça
Tinta permanente escrita sem burrão
Elas duas esperam maridos que não voltam
Rezam promessas na ilusão
Abades padres comadres na pobreza e na certeza
Palavreado em modo agreste linguagem postiça
Os ganapos gingam na eira feira freira de escola
As duas as outras moldam os corpos em panos descoloridos
Negros de nada que a saudade cola
Mulheres tricotam palavras ponto cruz
Chulear salivas bochechos cantares
Beijos pastosos abraços ruidosos quantos
Acordo apertado
eugeniohenrique 12/8/2026
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