segunda-feira, 5 de julho de 2021

8_0 | 22

 Violetas_Op.13_Pathétique


o sol encosta-se na luz que ofusca o olhar 

o vento pouco que me acorda no limite dança em pontas 

enrosco-me no sabor da noite que vem olho desenho

ato-me na finura do desejo voar em letras de sol que vai

na hesitação perpetuo o tamborilar do silêncio 

a luz afunda quente rente à margem da pele

arrefece o olhar na distância que arde chão

violetas que se aconchegam no bosque traços negros

arrulhos adormecidos cocuruto em festim 

as portadas abrem-se no brilho do fogo que espreita

sonata lenta sopros dedilhados rostos suados

dança em crina timbre nos dedos que te garatujam 

? Quanto do tempo há no vestígio desta luz

? Quanto do tempo há no vestígio de ti

violetas as horas que não me fujam 

eugeniohenrique 4/07/2021



segunda-feira, 28 de junho de 2021

Traço_destraçado | 042

 7cores_e_mais

desenho para um ditador


sou pessoa precisasse eu deste desenho não o seria capazmente

as palavras travam aromas de vespas formigadas são inanes essas 

gritaria imunda abunda em rugido intestinal desenho tolo

desperto em sono flores secas envasam os trotes discursivos

engaiolados no escuro esvaziam na cor o vómito do nada 

escorreita a calçada e travestida de canto fados negros

janelas aferrolhadas trapos embandeirados vibram a nudez fétida  

se pessoa em sendo fosse e não havendo senão resta-me bulir 

na secura deste molhe inerte sou as cores que apagas 

sou no reboliço de mim as sete e as mais que sim



eugeniohenrique 28/06/2021


terça-feira, 22 de junho de 2021

8_0 | 21

mantaquente


o som das palavras vai no caminho dessa possibilidade as portadas em fio r

evelam o vento que traz a cor violetas flores campo de água estendida descalço-me 

das palavras digo no escuro desenho nas sombras 

sinto o ar no olhar que aperta o vento no meu colo deito a pele que levanta 

o sol na árvore que chilreia quente quanto de mim  

sopro de aromas no caminho dessa possibilidade 

a manta de quente que se ajeita lenta desassossegada frenesim gota de amar 

intensamente flores violetas flores pétalas paleta 

vaso de queimor tanto em mim arde no silêncio da nuvem que vem 

caminho a possibilidade e vou

eugeniohenrique  21/06/2021 

quinta-feira, 20 de maio de 2021

traço_destraçado | 041

 traços_silvos- - - - -


Leio no azul bordado de cinzas o tempo hoje

Pingos de água cintilam e aborrecem 

Adormecido no canto chilreio palavras

Cindidas espargem em pedaços estilhaços

Cantorias em choro de colo frio bala 

Poetas nos escombros ombros amassos 

Escavam na escrita a dor do azul que não é

O chilreio é grito na gruta dos poetas

Morrem os sinos nas palavras que pesam na terra

Herói que veio afinal não tontaria gritaria

Fustigas em traço noturno que arranca em fumaça 

Vocalizos serpenteiam no festim subterrado 

Do céu amor vem do céu a dor calor em nada

O vazio em sombra alonga o choro 

Leio na voz do nada ser ninguém por ser

Simplesmente 

Adormeço ao postigo e não te vejo aí

A noite rasura a tua ausência 

A quem abraças se não tens abraços

A fustalha navega entre traços silvos 

Contrição salmo de glória imunda afunda

Canteiro de poetas letras de pó 

Adormeço e não durmo - - - -  na guerra toda nossa

Atulho-me por ela no meu céu cru 



eugeniohenrique 17/05/2021

segunda-feira, 10 de maio de 2021

8_0 | 20

 aperta-meatado


aperta-me esta luz sempre que te quero tocar

a pele tua queima a voz do silêncio meu

cantoria patética frenesim de formigas 

o espaço brilha desautorizado sobre o olhar cego

serpenteiam na vidraça estalidos desejos suor 

o gorjear da passarada que baila em piso de água

golpeia o silêncio do ar que respiro fervente

harpejo sabores distantes ais delirantes

a luz dói na linha da pele que chora

é tão pouco este nada janela fechada

é macia a manta que te embala corpo raso nu

finura quanto me aperta a desventura 

afogado no olhar olhar em rasura poeta

tanto nada digo que o sopro leva 

desalinho desejo atado trepa 

em flor que desfolho aromas de escrita

danço dança comigo no gotejo alado

aguadas febris gesto pele tanto quis

maneio no embalo de arrulhos azuis

sonata breve que o silêncio sopra 

na distância tamborilo tempo bastante

para que esta luz me aperte

e a dor me encante


eugeniohenrique 8/05/2021

terça-feira, 16 de março de 2021

traço_destraçado | 040


sempre

repouso o olhar espaço | o rio leva | solto o salto para lá | espelho  imagem | desejo inquieto | bailam em linhas de pauta | desassossego de sinfonia cantoria pássaros magia | putos diria | quanto de mim desejas  quanto de mim canto no rio de lá | desafogo traços de água imagem mágoa |  lanço laços que me apertam a eles | a luz brinca esconde e vem mas sempre há | e com eles desinço o amargo da amargura do vazio | escandindo o olhar imagem da imagem | escavando palavras | quanto olhar repousa em mim verdes azuis todas | entoação | salpicos | de quem quer espaço | o rio não pára agita-se em baloiço menino | devagar devagarinho | a voz do silêncio | medo de ser traço informe | janela sem ver |  dedilhas na nuvem que te acolhe | em seres assim | um dia memória no fim| 

eugeniohenrique 16/03/21

traço_destraçado 039

 Postigar


saltito nas imagens que ondulam no rio frio

os galhos vibram com o vento que zumbe em sopro

pássaros desenham as palavras no olhar que olho

brincam em ondas de pirralhos garatujam 

o frio da chuva atalha abraços passos caminho só

despidas em batutas as árvores inquietam pestanejo

o ponto que brilha na tela acasala o aroma de nada

vai e vem de poucos que tilintam o sabor deste canto

apressam os traços que o sopro sopra e vão 

em gotículas que trauteiam o medo da noite cedo

galgo no aroma que me aquece e voo nas margens 

doem os dedos da escrita que não escrevo

escavo palavras na corrente que corre para lá

afundo o olhar no meu colo Rilke

no embalo que me embriaga a noite vem

tenho-me no sono e chove desassossego 

harpejo na distância 

o postigo estreito


eugeniohenrique 11/03/21

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

traço_destraçado | 038

 pan_démi_co | 20+21


chove no chão sem passos sem abraços está frio chove em chão duro escuro  amar cego não te vejo ninguém navegas na palavra que te nutre vazio  cinzento o céu sem gente o tempo vai nas linhas da chuva galopa na pele nua de nada olho no chão rostos que não vejo que não beijo gestos do sol ausente janelas de só timbre desatinado fogo apagado chove 


eugeniohenrique 4/12/2021

segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

traço_destraçado | 037

Dormente


Viagem na almofada o tempo ido

Procuro levar-me ondulo

Espreito estreito longe

Desolhado fatigado 

Acordo esmagado acordado 

Salpico a luz invento

Desenho e pulo 

Fui tanto de nada e sou 

Dormente na crença 

Cachopo mimado de loiro

Arrepio de ser margem

Ladeira em terreno vão

Escarpo os dias na vidraça

Bafo linhas nas gotículas

Maré que enche e vai

Costa espumada na almofada

Viagem de pés frios.

eugeniohenrique 7/12/2020

traço_destraçado | 036

 assolado_assim


canso do cansaço que me assola

preguiço e não basta

lavo a pele em desejos 

arejo respiro sufoco

o olhar da noite sempre

destrato o ser 

em desassossego pulha

digo na voz da escrita

o tempo vai e não basta 

olhar estafado do nada

daqui vou e não parto 

assim 

amo na desordem das linhas

eugeniohenrique  25/11/2020