segunda-feira, 9 de novembro de 2015

r-a-m-o | 009

a_ voz_ em_ dormir_ na_ fumaça


se olho a sombra e toco  se toco na luz que se atravessa de mim
em noites frágeis manta em desassossego 
e toco a luz fio fino na linha do rosto desperto em sono lento
letras de outono fogueira salpicos de calor e fumaça 
movimenta-se quieta a minha sombra 
toco em mim sem cor sem sabor ou tremor
toco na forma que se desforma quando toco
está frio e chove confundo-me nela chuva que chove
a noite anoitece cada letra pedaço a pedaço 
sons de luz
esplendor imenso no fio fino fininho 
o outono adormece a voz 
corpo pele de noz aguarela a sós 
confundo-me em mim
nas  frases que compus 
dedilho na sombra que se inquieta
a noite foge catrapus
ratos em soalho roto espreitam
a sombra que se desdobra em páginas
nada 
ruídos enfeitam a dança 
golpeiam a noite fria e 
salta em pulos de pé descalço
a voz em dormir na fumaça

outono 
eugeniohenrique 9/11/2015 

terça-feira, 27 de outubro de 2015

traço_destraçado | 018

fugadechorar_vento

venta devagar o vento
pontos de asa negra no ar
traçam linhas sem traçar
o vento venta na pele
sons de nada em fuga
caem letras das palavras
a cor do embaraço abraço
em folhas de vento devagar
página de pontos contos
nadar no vento de ser
rosto de aprender
venta devagar
trapos de árvore acasalam
silêncios de chão frio
arrepio de vento rio
pingos que saltitam
no ar do vento que venta
vidraça em choro
lágrimas de chuva
as letras caem nos dedos
que desenham sons de pele nua
dança na água
dança no vento frio
noite em pleno dia
vento sem magia afonia
cansaço de ser vento 
venta devagar o vento
eugeniohenrique 10/10/2015 | 018

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

construção | 001

eugeniohenrique 7/10/2015 | 001

desenho em texto | para construção
Convido os meus leitores, amigos e todos, a construir este desenho em texto., utilizando o espaço comentário para o efeito

Se fosse stor ator pintor Qualquer coisa assim se eu fosse Poeta escritor sabedor
Se em mim houvesse rancor Se em mim houvesse stor Se em mim houvesse
Qualquer coisa de calor Qualquer coisa no meu tambor Além da dor 
Se eu fosse stor o dia  tempo argumento pensamento Saltador sem guia Magia stor 
Qualquer coisa seria  Qualquer coisa saberia De poeta escritor flor
Se em mim há coisa qualquer Se ha em mim mulher Qualquer coisa em ser
Espaço de sabor arder Se em mim puder Acocorar o teu olhar
Uvas stor uvas para pisar Se fosse cantar  Coisa qualquer de amar 
...
Se não houvesse amor stor,
O sol não brilharia e a chuva cairia do meu rosto
...

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

traço_destraçado | 017

a bola dançará na música

embarcar sorrisos de dor | cantor | de silêncios choro por chorar 
rosto 
poetas nos escombros | balas de todas as cores | cacos tambores
gemidos em cestos de gente | bracejam a liberdade
sono em colo de cansaço
pedras que riscam estilhaço
carris de  dores | molhes de gente putos
brilho de luz fosca baça raça
Terra 
Fuga 
carcaça de sol ausente
Mãos
em vidraça de poetas | bafo em desenho de grito | pedir chão
retalho em pedaços de ser
Agonia
sufoco no espaço
a terra gira e não tomba
no meu desenho sim
gira e tomba
a bola dançará na música 
silêncio


eugeniohenrique 5/10/2015 | 017

sábado, 5 de setembro de 2015

traço_destraçado | 016

o barquinho ligeiro andava

os abutres esvoaçam dias fantasma | raça de asa longa abutre em tempo |
não há tempo  lamento choro brasa | água rasa chuva de lama e não ama |
animal besta em gente entranha  | desassossego traços de bala vala |
gente molhes de gente pó | pedra mole e os abutres esvoaçam |
tinta de podre asa longa pincel sem cor | força mula bordel |
deus enlouqueceu adormeceu | caminha não foge em choro de inocência |
braços de ais sem gota que pingue | disfarce de ser | pingos de leite em seios de secura
amantes que amaram  pele rota e dura | caracóis de arame por pentear |
trepar nos ossos plinto | o barquinho ligeiro andava | as pombinhas da catrina primeiro |
vespeiro nas fraldas que te aquecem | urina de medo | pétala roxa em caule seco gemido |
na escrita gesto que rasga | páginas de pele mãe sempre a mãe | dorme dorme meu menino |
não há tempo razão nada | não ha vento sopro magia | deus que cuide da sua cria | 
era uma vez | o barquinho ligeiro andava


eugeniohenrique 5/09/2015

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

domingo, 23 de agosto de 2015

8_0 | 006



sombra em noite falsa sonho tonto janela de negrume breu | traços de espaço ausência voz mesquinha cegueira minha |
inúteis fúteis as vozes do sonho caixa de timbre agreste | restos de estar sossego inquieto noite papel de escrita |
traços inventados traços de margem em descer rio de lá  | sons de quente dança tecido pele sussurro lento rio |
suor em febril  espasmo margem de lá traço de água doce | aromas de nudez em grito surdo sonho tonto traço de lua |
luz de fogo papel  página desenhos meus na margem de lá  | sopro de ar veloz desejo as vozes do silêncio que trago |
sombra em noite falsa valsa amor em pele de rio na margem de lá | sonho tonto até já na outra 

eugeniohenrique  23/08/2015

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

r-a-m-o | 008

Vir corre e vem | quero-te em casa bem volta | dançarei no azul do rio na luz do olhar que te tenho | vem volta para o sossego de estar aqui | tão todo | saudade | aperto as mãos de frio | rolo-me no tempo-será ausência e dói | vem volta todo | desenho no vento que me toca falando baixinho | vir | não me atropelem o colo que quero dar | não me estilhacem nos porquês | vir vem no meu pescoço | pele minha e tua | enrosco-me no limite da imagem voo em leveza | sei que vens vem| juntos somos rio fio que segura o jeito meu e teu | linha que ata e mata morrendo lento nos pingos de não  te ter | ferida imensa | vem vir e volta todo em mim | quero-te assim

eugeniohenrique 08/08/2015

sábado, 1 de agosto de 2015

r-a-m-o | 007


salto no ar procuro o tempo e vou | regressarei aqui agora | ganapo embaraçado nos caracóis de ouro | nos trapos de poetisa | cosedura apressada | tarefas sempre tarefas | dia a seguir dia | lindo de morrer | enfeite sem saber que o domingo havia ter | azuis de luz e de quase todos | dela totalmente | vaidade na mão que agarra forte | não cai em sorte | sempre em cara linda | trote de fuga | silêncio | e volta | teatrices frases ditas | palco de todos os lindos | os filhos são lindos | trabalho de mulher ventre | ziguezague bainhas de histórias | desenhos de submissão | nunca falta nada a gente pobre | límpinhos sempre muito límpinhos | brilho servil exemplo | quintais de  sombra | sulcos de água fresca | heróis que tombam no funil pátria | terços aos montes | tontos | bestas de caracóis de ouro | mulheres de nada na eira | trigo batido desejo contido | o ganapo sentado no trapo negro | colo de beatas lindas | virtuosas no zelo de pele | pecados não | nunca o brilho de amar | silêncios nos dias | homem besta não ama | cai no sono do teatro o menino de ouro | pedaço de ser em papel de ler | tem carta tem carta | desassossego de gente que espera | escrita em palavras de longe | ora ora senhora aurora | cenário de todas as cenas do calvário | desenho lá atrás | sem urgência | o carteiro de cartas | selos de afetos | netos| tente-se rua estreita | vidraça de olho esperto | jogo de trapos em bola | ameixas em árvore trepada | trilho de viagem férrea | tudo em sopa de estar | lá longe | salto para agora voltarei 


eugeniohenrique 15/07/2015 | 007

traço_destraçado | 015

o chão da linha

acordar em lençóis de trapos esmagados no tempo trapaceiros não invento curtos os pés que te sustentam e cais nos lençóis lama onde flutuas devagarinho o tempo morre por ti são curtos os pés que tocas em descoberta e pele fria de violeta trapos de cor pão apenas pão tambor em orquestra desafinada desatino em dança não dançada invento uma poltrona de noticias escrita aos molhes em molhos sábios chuva em lentes de cegueira cantadeira de letras que correm na lama da tua cama em lençóis de flores murchas aromas de nada sonho de pés curtos trapaceiros verdadeiros da mentira faustos de glosas e prosas trapos engomados domados em pingos de água rosa lençol curto que me afaga a pele que dói não sei dizer dela tenho-a no meu colo em timbre de tambor ralho-me por ter pé curto finjo-me fingidor alargo-me no olhar que acorda sem respirar besta de ser no esgoto do crer trapo em sol maior não aquece nem arrefece flutua no rio lama de letras chão de pé curto não não sou pedaço para não ter dança de mim luz de arder saco de ser corre o tempo para acordar nos trapos num lençol de amar deito comigo a cor dos teus olhos a cor das tuas cores eu sem cor nas mãos de fedor riscadas de entranhar palavras que aperto sonhos que não liberto tu és cor eu sem ela desenho o pé curto no chão dos meus trapos está frio

eugeniohenrique 01/08/2015 | 015