sábado, 1 de agosto de 2015

traço_destraçado | 015

o chão da linha

acordar em lençóis de trapos esmagados no tempo trapaceiros não invento curtos os pés que te sustentam e cais nos lençóis lama onde flutuas devagarinho o tempo morre por ti são curtos os pés que tocas em descoberta e pele fria de violeta trapos de cor pão apenas pão tambor em orquestra desafinada desatino em dança não dançada invento uma poltrona de noticias escrita aos molhes em molhos sábios chuva em lentes de cegueira cantadeira de letras que correm na lama da tua cama em lençóis de flores murchas aromas de nada sonho de pés curtos trapaceiros verdadeiros da mentira faustos de glosas e prosas trapos engomados domados em pingos de água rosa lençol curto que me afaga a pele que dói não sei dizer dela tenho-a no meu colo em timbre de tambor ralho-me por ter pé curto finjo-me fingidor alargo-me no olhar que acorda sem respirar besta de ser no esgoto do crer trapo em sol maior não aquece nem arrefece flutua no rio lama de letras chão de pé curto não não sou pedaço para não ter dança de mim luz de arder saco de ser corre o tempo para acordar nos trapos num lençol de amar deito comigo a cor dos teus olhos a cor das tuas cores eu sem cor nas mãos de fedor riscadas de entranhar palavras que aperto sonhos que não liberto tu és cor eu sem ela desenho o pé curto no chão dos meus trapos está frio

eugeniohenrique 01/08/2015 | 015

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