quinta-feira, 29 de outubro de 2026

traço_destraçado | 087

 Anoitecer em pedra fria


Juntar a voz em vozes que o silêncio escurece fadiga bafo de não ter o mar imenso desatinada condição de navegante afogado no vazio desalojado miséria sufoco romã no espaço esburacado girassóis acampados  descalços ensonados gritos de gaivotas penduradas no rio da pobreza fado vadio que as vozes da voz cintilam na noite relento em sonhar descambar no trágico

Torpedo outros sem frio desmobilizados na vontade que afaga na doçura que o vento toca leve tanto de ter empobrece desfraldadas palavras que assentam em leitos de gadanha afiada lustre em espelho cediço nobreza vil fissura no sol que queima a poética da noite nos olhares que mirram soleiras de chão 

Ei-los na decomposição prístina colagem citadina sombra projetada de letras informes negras em sujeira despicienda eles outros são o nada no arfar da correria despojados de alegria escavam o peso da terra que os adormece entorpece em leitos cianose tosseira esclerose eles outros pedaços traços de volúpia gargarejo em tabuleiro de reis e rainhas princesas e príncipes traficantes de influenciados ditadores mestres da ignomínia embandeirados nos trejeitos engomados perfumados banquetes estampados na pele eles outros rouquidão na fumaça envelopes ensalivados nos escombros da desgraça desenho da raiz que anoitece no frio tenho frio 


eugeniohenrique 29/10/2026