terça-feira, 22 de dezembro de 2015

8_0 | 008

sabor | manhã

Espelho para repouso de linhas de sol
Barcos pequenos amarram-se em pedaços força que a terra pariu mae
Não sei que passarada desenha no ar linhas de sossego 
O silêncio em água luz de ouro afasta-se cabelo sedoso 
Desenhado em delicadeza sobre o olhar que se alonga à direita
Do outro lado fumegam trapos de nevoeiro barba de pai natal
No silêncio leio as palavras deste rio caracóis de ouro dedos frágeis
Na tua margem trepo o olhar na linha de luz que te agarra ao solo
Pardais vadios desamarram barcos os pequenos 
Sonhos que em água doce trazem o aroma do dia assim 
Traço no silêncio garatujas de gente que trago 
Cantaria pudesse com os vadios palavras no espaço em nada
Asa ventada sinfonia em dança na luz 
Na margem afagos vagos impacientes saltitam bicam
Ternuras no silêncio da ausência olho para lá
Timbre em cor de olhar em toque sem tocar
Quantos abraços quantos amassos barcos pequenos 
pedaços de ver na margem para lá quietude amar
Silhueta em trapos de nuvem silhueta em pele de rio ouro
Navego no doce da tua margem mergulho na ar em perda
Desenlaço desejos de travessia tocar em pele macia
Novelos em linha frágil escrita nua salpicos de sabor manhã
Fico só mãos dadas uma em outra minhas
Sossego em desassossego este rio em ouro
Fico só de cá 


 eugeniohenrique 22/12/2015

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

8_0 | 007

sorrir_em_sono

o dia em dormindo 
travo de água ardente
tangente ao dia acontece
sendo em sono 
aconchego de azuis
pétalas sorrindo
espuma de letras 
arde fugindo
pele quente
habita em mente 
a noite dormindo
naipe de sons 
chilros de uis e de ais
abrem-se flores amores
cantores 
gotejos de suor caindo
rio imenso 
poema fonema 
mãos que remam palavras
desenham sabor calor
intenso
canto em cansaço doce
canto em pedaço fosse
canto cantando amor 
sulco de voz tremor
o dia  em dormindo
sorri 
fecha os olhos e diz
sou eu quem for 
amor

eugeniohenrique 13/11/2015

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

r-a-m-o | 009

a_ voz_ em_ dormir_ na_ fumaça


se olho a sombra e toco  se toco na luz que se atravessa de mim
em noites frágeis manta em desassossego 
e toco a luz fio fino na linha do rosto desperto em sono lento
letras de outono fogueira salpicos de calor e fumaça 
movimenta-se quieta a minha sombra 
toco em mim sem cor sem sabor ou tremor
toco na forma que se desforma quando toco
está frio e chove confundo-me nela chuva que chove
a noite anoitece cada letra pedaço a pedaço 
sons de luz
esplendor imenso no fio fino fininho 
o outono adormece a voz 
corpo pele de noz aguarela a sós 
confundo-me em mim
nas  frases que compus 
dedilho na sombra que se inquieta
a noite foge catrapus
ratos em soalho roto espreitam
a sombra que se desdobra em páginas
nada 
ruídos enfeitam a dança 
golpeiam a noite fria e 
salta em pulos de pé descalço
a voz em dormir na fumaça

outono 
eugeniohenrique 9/11/2015 

terça-feira, 27 de outubro de 2015

traço_destraçado | 018

fugadechorar_vento

venta devagar o vento
pontos de asa negra no ar
traçam linhas sem traçar
o vento venta na pele
sons de nada em fuga
caem letras das palavras
a cor do embaraço abraço
em folhas de vento devagar
página de pontos contos
nadar no vento de ser
rosto de aprender
venta devagar
trapos de árvore acasalam
silêncios de chão frio
arrepio de vento rio
pingos que saltitam
no ar do vento que venta
vidraça em choro
lágrimas de chuva
as letras caem nos dedos
que desenham sons de pele nua
dança na água
dança no vento frio
noite em pleno dia
vento sem magia afonia
cansaço de ser vento 
venta devagar o vento
eugeniohenrique 10/10/2015 | 018

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

construção | 001

eugeniohenrique 7/10/2015 | 001

desenho em texto | para construção
Convido os meus leitores, amigos e todos, a construir este desenho em texto., utilizando o espaço comentário para o efeito

Se fosse stor ator pintor Qualquer coisa assim se eu fosse Poeta escritor sabedor
Se em mim houvesse rancor Se em mim houvesse stor Se em mim houvesse
Qualquer coisa de calor Qualquer coisa no meu tambor Além da dor 
Se eu fosse stor o dia  tempo argumento pensamento Saltador sem guia Magia stor 
Qualquer coisa seria  Qualquer coisa saberia De poeta escritor flor
Se em mim há coisa qualquer Se ha em mim mulher Qualquer coisa em ser
Espaço de sabor arder Se em mim puder Acocorar o teu olhar
Uvas stor uvas para pisar Se fosse cantar  Coisa qualquer de amar 
...
Se não houvesse amor stor,
O sol não brilharia e a chuva cairia do meu rosto
...

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

traço_destraçado | 017

a bola dançará na música

embarcar sorrisos de dor | cantor | de silêncios choro por chorar 
rosto 
poetas nos escombros | balas de todas as cores | cacos tambores
gemidos em cestos de gente | bracejam a liberdade
sono em colo de cansaço
pedras que riscam estilhaço
carris de  dores | molhes de gente putos
brilho de luz fosca baça raça
Terra 
Fuga 
carcaça de sol ausente
Mãos
em vidraça de poetas | bafo em desenho de grito | pedir chão
retalho em pedaços de ser
Agonia
sufoco no espaço
a terra gira e não tomba
no meu desenho sim
gira e tomba
a bola dançará na música 
silêncio


eugeniohenrique 5/10/2015 | 017

sábado, 5 de setembro de 2015

traço_destraçado | 016

o barquinho ligeiro andava

os abutres esvoaçam dias fantasma | raça de asa longa abutre em tempo |
não há tempo  lamento choro brasa | água rasa chuva de lama e não ama |
animal besta em gente entranha  | desassossego traços de bala vala |
gente molhes de gente pó | pedra mole e os abutres esvoaçam |
tinta de podre asa longa pincel sem cor | força mula bordel |
deus enlouqueceu adormeceu | caminha não foge em choro de inocência |
braços de ais sem gota que pingue | disfarce de ser | pingos de leite em seios de secura
amantes que amaram  pele rota e dura | caracóis de arame por pentear |
trepar nos ossos plinto | o barquinho ligeiro andava | as pombinhas da catrina primeiro |
vespeiro nas fraldas que te aquecem | urina de medo | pétala roxa em caule seco gemido |
na escrita gesto que rasga | páginas de pele mãe sempre a mãe | dorme dorme meu menino |
não há tempo razão nada | não ha vento sopro magia | deus que cuide da sua cria | 
era uma vez | o barquinho ligeiro andava


eugeniohenrique 5/09/2015

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

domingo, 23 de agosto de 2015

8_0 | 006



sombra em noite falsa sonho tonto janela de negrume breu | traços de espaço ausência voz mesquinha cegueira minha |
inúteis fúteis as vozes do sonho caixa de timbre agreste | restos de estar sossego inquieto noite papel de escrita |
traços inventados traços de margem em descer rio de lá  | sons de quente dança tecido pele sussurro lento rio |
suor em febril  espasmo margem de lá traço de água doce | aromas de nudez em grito surdo sonho tonto traço de lua |
luz de fogo papel  página desenhos meus na margem de lá  | sopro de ar veloz desejo as vozes do silêncio que trago |
sombra em noite falsa valsa amor em pele de rio na margem de lá | sonho tonto até já na outra 

eugeniohenrique  23/08/2015

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

r-a-m-o | 008

Vir corre e vem | quero-te em casa bem volta | dançarei no azul do rio na luz do olhar que te tenho | vem volta para o sossego de estar aqui | tão todo | saudade | aperto as mãos de frio | rolo-me no tempo-será ausência e dói | vem volta todo | desenho no vento que me toca falando baixinho | vir | não me atropelem o colo que quero dar | não me estilhacem nos porquês | vir vem no meu pescoço | pele minha e tua | enrosco-me no limite da imagem voo em leveza | sei que vens vem| juntos somos rio fio que segura o jeito meu e teu | linha que ata e mata morrendo lento nos pingos de não  te ter | ferida imensa | vem vir e volta todo em mim | quero-te assim

eugeniohenrique 08/08/2015