sexta-feira, 13 de maio de 2016

8_0 | 10

Tim_me

Se fosse mãe traçava-te no meu colo amasso de beijos queimor de aperto tanto
Se fosse mãe chilreava suspiros em brumas de ausência embalo de te ter aqui
Se fosse mãe acocorava sonhos em pedra fria manta de febril ser sonhos
Se fosse mãe garatujava a pele de nós as palavras em boca seca
Se fosse mãe cantaria em flores viagem de muitas dores amores
Se fosse mãe cuidaria em cuidar este amar sem desarmar o cansaço 
Se fosse mãe escreveria nos olhares em nuvem pulos de querer ser mãe se fosse
Se fosse mãe viveria em sono ausente galope fervente salto em frente viveria
Se fosse mãe seria ninho linhas de mãos entre laços abraços
Se fosse mãe cresceria em ramos tensos imensos árvore de frutos se fosse
Se fosse mãe salpicava o rosto de sol por ser mãe serenata de violetas
Se fosse mãe espremia seios de poetas naus em vidraça caraças quero ser mãe 
Se fosse mãe seria praia praça rua noite escassa voz tormento alento
Se fosse mãe descalça dança de ventre que pariu 
Se fosse mãe não saberia ser senão mãe que os filhos viu
Se fosse mãe seria tudo de mim 
E tu és assim

eugeniohenrique 30/04/2016

quinta-feira, 10 de março de 2016

8_0 | 009

mar|gem|riso|Ria

sabes sabendo que estou em sendo eu parvo de mim crendo desfolhado o ramo em fruto reinventado em sabor amado  amar fazendo amar tremendo de amor pés de água sentado no colo dos teus seios ardor tremor em nuvem de ouro gotejo o saber de nada risos de fada parvo de mim aguada em sol de margem papel miragem veio de quente em correndo pungente sopro de sopro ar de amar aroma de céu sem gente parvo de mim traço canto em pele seda dedilho espanto olhar tanto manto canto o calor do encanto corre o vento em frágil tento invento amar no vento solto silêncios tufos de todas as cores recanto febril chove de mim fino desatino em tremendo de amor risos vagos bote de remos largos espargem odores amores adágio em ouro rosáceo bailado de pétalas pele em seda meda de sais tantos mais ais o rio vai e volta festeja no cais o espasmo em onda abraça o abraço amor enlaço todas as palavras ditas em fogo silente trautear ardente pedaços em ser golpes de noite gemido de olhares baços sono em cansaço risos parvo de mim sabes que sim

eugeniohenrique 08/03/2016

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

r-a-m-o- | 010

segundavez_tantas

espaco pedaço território que se afaga em água de sal jardas navego em tempo barca frágil olho as pedras que endurecem os rostos trajados de sol negros os olhos que olham bátegas de palavras em chão dormente dor em pés desta gente do território que leva em colo ausente pingos de água brilho sumido em olhos que cuidaram o dia vem estala em pele que se estira linhas barca frágil vem o dia que vais vem o dia as palavras secam baloiço em braços que apertam nada vazio água de sal goteja no papel traço de pele vem o dia que não te oiço parir na sombra pavio de luz frágil a linha é noite as pedras copulam histórias de gente em barca que ondula desassossegos apago o pavio entre desejos vais lento em mim perco és como eu durmo de luz acesa território tracejado nos ventos de barca que se afasta em gemido nascendo vais no desabraço caminhas no sal cansaço o escuro escurece embaraço meu e tu ja partiste


eugeniohenrique   26/1/2016

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

traço_destraçado | 020

bordardescalço

mercado de mercados pecados | celtas visigodos engomados | travo de sabor esmagado | povo triste riscado | perpétuo movimento em fado | jardim de jardins pisado | tocam sopros desafinados | gestos em desenhos esbodegados | gente sem pessoa | celtas visigodos | quanto vale um sorriso | quanto tem de improviso | saber que a gente vive | postigos de sopa também tive | olha o menino olha e come a papa | mercados de napa | o prato vazio rapa | flores em não sendo credos em mim podendo | vertigem de estetas open space | brilho da goma em números indizíveis | sufoco em colo destroçado sendo | choro impotente gemendo | arauto em plinto berra sem saber o que sinto | goteja saliva que tritura | olha o menino olha sem frescura | em dor de ser  ternura | pedaços em coisa maquinal | celtas visigodos está tudo mal | trapos em tecer o que ler | brandura sem forças | não conta na contagem o | menino que teimosamente | dorme meu menino dorme | presépios de gente | sonata de frio e ausência | tocam os sinos saltam em charcos meninos | negrume em pele rota | risos de poliglota | diz a tua mãe que a senhora tem meninos | dos outros | são sem rota | brancura de engomadeira | o mercado vigia | mãe | não choro a dor do frio | cubro a pele de coisa qualquer | enxoval de sonhos bordadeira | poeta em vazio | gemido de gente pessoa triste | o mercado existe | pudera | eu também

eugeniohenrique 30/12/2015

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

traço_destraçado | 019

I_mun_dice

em guarda com esta coisa de gente
esta coisa de mundo imundo menino
é seco o choro da imundice
choramos em coro a nuvem de ninguém 
desenho na vertente vertigem mundo imundo
esta coisa com pão de linhas férreas
pontiagudos salpicos profundos
gente riscada pelo vento
acrescento no lamento esta vida de gente
fragmento
toque reboque ensaio porém
fado enfado de alguém  
saco de espuma palavras uma a uma
gaveta de sonhos em buracos 
coisa em gente de trapos gotas nacos
solo seco solo seco putos em sacos
armada na bruma que pinga em pele 
nua fria a tua pele sempre disse

Puto levanta-te da imundice
eugeniohenrique 23/12/2015

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

8_0 | 008

sabor | manhã

Espelho para repouso de linhas de sol
Barcos pequenos amarram-se em pedaços força que a terra pariu mae
Não sei que passarada desenha no ar linhas de sossego 
O silêncio em água luz de ouro afasta-se cabelo sedoso 
Desenhado em delicadeza sobre o olhar que se alonga à direita
Do outro lado fumegam trapos de nevoeiro barba de pai natal
No silêncio leio as palavras deste rio caracóis de ouro dedos frágeis
Na tua margem trepo o olhar na linha de luz que te agarra ao solo
Pardais vadios desamarram barcos os pequenos 
Sonhos que em água doce trazem o aroma do dia assim 
Traço no silêncio garatujas de gente que trago 
Cantaria pudesse com os vadios palavras no espaço em nada
Asa ventada sinfonia em dança na luz 
Na margem afagos vagos impacientes saltitam bicam
Ternuras no silêncio da ausência olho para lá
Timbre em cor de olhar em toque sem tocar
Quantos abraços quantos amassos barcos pequenos 
pedaços de ver na margem para lá quietude amar
Silhueta em trapos de nuvem silhueta em pele de rio ouro
Navego no doce da tua margem mergulho na ar em perda
Desenlaço desejos de travessia tocar em pele macia
Novelos em linha frágil escrita nua salpicos de sabor manhã
Fico só mãos dadas uma em outra minhas
Sossego em desassossego este rio em ouro
Fico só de cá 


 eugeniohenrique 22/12/2015

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

8_0 | 007

sorrir_em_sono

o dia em dormindo 
travo de água ardente
tangente ao dia acontece
sendo em sono 
aconchego de azuis
pétalas sorrindo
espuma de letras 
arde fugindo
pele quente
habita em mente 
a noite dormindo
naipe de sons 
chilros de uis e de ais
abrem-se flores amores
cantores 
gotejos de suor caindo
rio imenso 
poema fonema 
mãos que remam palavras
desenham sabor calor
intenso
canto em cansaço doce
canto em pedaço fosse
canto cantando amor 
sulco de voz tremor
o dia  em dormindo
sorri 
fecha os olhos e diz
sou eu quem for 
amor

eugeniohenrique 13/11/2015

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

r-a-m-o | 009

a_ voz_ em_ dormir_ na_ fumaça


se olho a sombra e toco  se toco na luz que se atravessa de mim
em noites frágeis manta em desassossego 
e toco a luz fio fino na linha do rosto desperto em sono lento
letras de outono fogueira salpicos de calor e fumaça 
movimenta-se quieta a minha sombra 
toco em mim sem cor sem sabor ou tremor
toco na forma que se desforma quando toco
está frio e chove confundo-me nela chuva que chove
a noite anoitece cada letra pedaço a pedaço 
sons de luz
esplendor imenso no fio fino fininho 
o outono adormece a voz 
corpo pele de noz aguarela a sós 
confundo-me em mim
nas  frases que compus 
dedilho na sombra que se inquieta
a noite foge catrapus
ratos em soalho roto espreitam
a sombra que se desdobra em páginas
nada 
ruídos enfeitam a dança 
golpeiam a noite fria e 
salta em pulos de pé descalço
a voz em dormir na fumaça

outono 
eugeniohenrique 9/11/2015 

terça-feira, 27 de outubro de 2015

traço_destraçado | 018

fugadechorar_vento

venta devagar o vento
pontos de asa negra no ar
traçam linhas sem traçar
o vento venta na pele
sons de nada em fuga
caem letras das palavras
a cor do embaraço abraço
em folhas de vento devagar
página de pontos contos
nadar no vento de ser
rosto de aprender
venta devagar
trapos de árvore acasalam
silêncios de chão frio
arrepio de vento rio
pingos que saltitam
no ar do vento que venta
vidraça em choro
lágrimas de chuva
as letras caem nos dedos
que desenham sons de pele nua
dança na água
dança no vento frio
noite em pleno dia
vento sem magia afonia
cansaço de ser vento 
venta devagar o vento
eugeniohenrique 10/10/2015 | 018

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

construção | 001

eugeniohenrique 7/10/2015 | 001

desenho em texto | para construção
Convido os meus leitores, amigos e todos, a construir este desenho em texto., utilizando o espaço comentário para o efeito

Se fosse stor ator pintor Qualquer coisa assim se eu fosse Poeta escritor sabedor
Se em mim houvesse rancor Se em mim houvesse stor Se em mim houvesse
Qualquer coisa de calor Qualquer coisa no meu tambor Além da dor 
Se eu fosse stor o dia  tempo argumento pensamento Saltador sem guia Magia stor 
Qualquer coisa seria  Qualquer coisa saberia De poeta escritor flor
Se em mim há coisa qualquer Se ha em mim mulher Qualquer coisa em ser
Espaço de sabor arder Se em mim puder Acocorar o teu olhar
Uvas stor uvas para pisar Se fosse cantar  Coisa qualquer de amar 
...
Se não houvesse amor stor,
O sol não brilharia e a chuva cairia do meu rosto
...