sexta-feira, 6 de junho de 2014

f-l-o-r | 01


há uma flor por nascer | flor nas flores que nascem no meu olhar | são de cor doce de rosa que se abre e vem de lá o aroma a flor | jardim de letras a flor | escrita de pé  amor | tenho-te esta flor | nas flores que vão ser
eugéniohenrique 06/06/2014 | 001

quarta-feira, 21 de maio de 2014

traço_destraçado | 004

naotenhoflores|no|desenhoqueinvento|floresamreloamarelosdecheiroquente|saboratraçolento|de|meigotanto|flores|nodesenhopoentedetardequevai|naflordosol|anoitevemedesenhofloresquenãotenho|nopedaço|de|corsem|dor|tantamantadanoiteafaga|odesenhoqueinventosemflores|amores|no|desatino|do|rastodesolquevirávezoutraeoutravez|no|desenhoquedesenhoflores|olhar|toquedepódeflor|e|pintocanelaalinhaquefaço|naflorquenãotenho|a|ti|a|ti|ti|euquerodartodasasflores|de|todasascoresdesenho|nome|teu|nosoldanoiteaospedaçosmeus|e|teus|só

eugéniohenrique 21/05/2014 | 004

sábado, 15 de março de 2014

traço destraçado | 003

escrevo para nada e escrevendo o ser de mim escrevo por nada | a agenda da minha escrita é o apetite dela | trago-me no assunto e tomo-me no travo dele | a perda de coisas gastam-me nesse apetite | a perda vem sendo o desenho do que escrevo | às vezes | perco-me nesta tontice |  ter de volta é tão de mim quanto o apetite deste pedaço que vos deixo | na perda não há de volta | perco só | escrevo por nada e para nada.
eugéniohenrique 21/02/2014 | 003 

form_01

as letras das palavras ondulam raiva | as palavras ditas na chuva do sentir | sentir a chuva de palavras ditas | a escrita de palavras na sombra da dor | ler no chapéu as palavras doces | dizer palavras a cantar de raiva | a raiva nas palavras do tolo que canta | texto escrito para sentir as palavras


palavras | letras | ondulam | raiva | ditas | chuva | sentir | escrita | sombra | dor | ler | chapéu | doce | dizer | cantar | tolo | texto
eugéniohenrique_form_01

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

traço destraçado | 002


entre pedaço de rima | o poema | diz da ausência de ser  | substância informe | queima de essência | ausência | distância para nada ser | no começo da noite breu | sem cor | luz  | no céu do deus ausente | de ti | pedaço de ainda ser | morno | de dor | olhar fundo | olhar imundo | tu não és o ser do poema | entre o pedaço de rima | não és nada | não és senão pedaço meu | penso na perda | penso que não e penso | rima que não tenho | desencanto | abutre tanto | só | cegueira imunda | e tu perdes-te de ti | perdes-te do teu ser | cansado | trapo | pintas de preto em espaço branco | o poema desfaz o rosto teu | e

eugéniohenrique 21/02/2014 | 002 


sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

ato de atar | de enlaçar

Ato de atar | de enlaçar

No espaço de nós | o tempo vai no sereno e profundo estar | desenha-se no sós e amar | de luz e ser assim | no pedaço de mim | tenho-te porque sim | no desenho | tenho de ser e de amar | com empenho | do amor que tens por mim | vai assim | vai para mim | sabor | a ti | tudo | em ti eu vivo | pontos de tempo | tempo nosso | eu posso ser mais | e mais | pedaço | embaraço | sopro | ais de mim | fogoso abraço | toque  no vento | invento | desejoso | alento | por ti eu sou | por ti eu me tenho | em ti me desenho | sem ti | nada | dor | de cansaço | de ser não sendo | céu sem deus | sem luz | calor | desejos teus | sem ti | nada de nós | vazio  frio | voz que enrouquece | estremece na dor | sem ti não te tenho | no desenho que sou | papel de nada | rugoso | de linhas de água | sós | choro chorando | o ter que não tenho | sem sem ti | quero estar no teu espaço | ter-te | toda |  no que sou | desenho-me | cego e  ledo | no fundo de mim| amo amo assim.


eugéniohenrique 12-02-2014

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

traço destraçado | 001

Está frio, hoje | frio de ser | frio de sentir | quase como frio e com muito frio | sentir que a evidência gela | gela-me | no desenho do frio | hoje | trago o esboço do ser em perda | o gelo queima | traço em descontínuo | traço em curva | traço destraçado pelo frio de ser esboço | imperfeito pretérito | causa em ausência | golpe de frio |  hoje | hoje de todos os dias | estará frio no desenho que se desconstroi | na perfeição até nada | sentir o traço que a safa desenha | vestígios  |  memória que o frio gela | desenho (te) comigo no espaço | nosso | dias sem traços | dias lassos | dias sem abraços | descalço | imprudente | o gelo queima o traço do desenho que tenho de ti | não há glória | não há ser na dor | descalço no gelo | arrepio desgraçado | janela sem vidraça | estilhaço | ameaça | vitória sem jogo | perda |  desalento acordado | sífiso esgotado | está frio hoje de todos os dias.

eugéniohenrique 14-01-2014 | 001

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

sábado, 19 de outubro de 2013

palavras sem paladar

há palavras que me enganam no canto das palavras |  sopram-me palavras de nada | agitam em palavras que não sou | a luz e o som dessas palavras enganam no canto do sopro meu | há palavras que não tenho | procuro-as no som do nada | palavras de poetas, palavras de profetas, palavras de ninguém, palavras que traço de água leva ao canto de alguém | há palavras de luz | há palavras que me enganam no engano de mim | escrevo palavras sem poema sem teorema sem algema | são palavras do desenho do canto onde estou | amo o ser no vazio das palavras | quase nada | quase tudo | o vazio das palavras que engano | há palavras de dormir de acordar de viver e de o deixar | há palavras no silêncio que me enganam | há palavras nuas no canto da nudez que deus fez | há palavras de silêncio que agitam o meu grito surdo | escrevo no rio de palavras que não digo | são bestas são palavras que finjo | duras imaturas sem traço sem laço | há palavras que pinto na cor do som da luz | a cor das palavras é no canto desassossego e finjo | não há  no traço da água que vejo a palavra engano | Há palavras que me enganam no canto do que sou | não não sou sem palavras tenho-as dentro do canto o canto das palavras | o lugar sem paladar.


sábado, 27 de julho de 2013

t_sem_t

estar sem é quase não estar o vento bate no momento sem culpa o ar em sopro amacia o vento e o vento sopra sem mim o espaço do sem é sem espaço sem perda sem pachorra sem nadas sem preto sem branco sem barriga sem fadiga sem pêlos sem cabelos sem guarda sem tino sem farda sem musica sem sem silêncio sem ti sem sem sem ti sem ser querer espaço pouco pouquinho sem ti ar de sopro macio sem vazio sem vento que sopra no olhar sem te ver sem te ter sem sem sem fazer do vento o momento sem ar sem respirar arfar sem toque sem movimento sem assento sem comprimento o vento sem pele sem água sem alento sem cor sem espaço para estar sem sem selo sem carta sem som do vento sem gente sem quente sem choro sem pouco  muito sem nada sem tudo sem quase assim sem te ver sem para mim sem mancha sem sussurro sem sopro sem sem sem nudez sem timidez sem claro sem pele sem estar sem mim saudade sem agora sem tempo sem sem memória sem glória sem vitória sem amoras namoras sem horas sem gente sem perto sem espaço deserto calor sem corpo sem toque sem sem amor  se retoque sem sem ruga sem noite sem dia sem cama ardia sem ter sem estar sem inventar sem cria sem luz sem magia sem cocuruto sem beijo sem abraço abracinho sem sem carinho muito do vento que sopra vem de lá do espaço do sem fim sem nunca sem tudo sem sabor sem dor musica dança sem palco sem louro sem perfume sem boca lume sem palavra pouco pouquinho sem só sem riso sem sombra preciso de estar sem estar no vento do nada sem rasura sem amargura dura sem estar éé quase não estar no vento